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ANOS 40.



Madeira anos 40.
Viveu suspensa num contraste singular: a calmaria de uma ilha 🏝️ atlântica isolada e o eco distante de um mundo em guerra. Embora Portugal se mantivesse neutro durante a segunda Guerra Mundial, o arquipélago não ficou imune às transformações da época, tornando-se um refúgio temporário e uma sociedade que resistia com a força da sua própria terra. Funchal vestia -se de contenção, mas mantinha a sua elegância pitoresca. As ruas de calçada miúda viam passar menos carros --- devido ao racionamento severo de combustível --- e mais carros de cestos, bois de puxar e bicicletas. O turismo de luxo, que nas décadas anteriores trouxera  aristocratas e europeus abastados ao Hotel  Reid's, sofreu uma pausa forçada.

Em contrapartida, a ilha acolheu centenas de refugiados de guerra, nomeadamente gibraltinos evacuados pela colónia britânica, que encontraram na Madeira um porto seguro e um alívio para os anos de conflito.
A vida quotidiana era marcada pela subsistência e pelo trabalho duro. Nas encostas íngremes, os agricultores moldavam os poios com braços de ferro, cultivando a vinha, a banana e a cana - de -acúcar. As levadas continuavam a ser rasgadas na rocha, numa engenharia audaz para levar a água do norte úmido ao sul soalheiro. Nas casas de pedra e colmo, as mulheres dedicavam horas infinitas ao rendilhado minucioso do
Bordado Madeira, uma arte que atravessava fronteiras e garantia o sustento de muitas famílias num período de escassez económica.
                                           
A década de 40 foi também o momento em que a Madeira começou a desenhar a sua modernização estrutural. Debatia -se a necessidade de melhorar as ligações marítimas e sonhava -se com as primeiras infraestruturas de aviação comercial, que os anos mais tarde rasgariam o isolamento insular de forma definitiva.











 

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