Muitas vezes, quando se fala do arquipélago, a Madeira acaba por chamar a si rodas as atenções. Mas a verdade histórica é justa e diz-nos o contrário: Porto Santo foi a primeira ilha a ser descoberta pelos navegadores portugueses, a mando do Infante D . Henrique, sob o reinado de D. João I. Corria o ano de 1418 quando Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira,e Bartolomeu Perestrelo,empurrados por uma tempestade implacável, encontraram naquela praia um porto seguro. Batizaram -na de "Porto Santo" em sinal de gratidão divina pela salvação. Bartolomeu Perestrelo era cavaleiro de D João I e, mais tarde
do Infante D. Henrique, pertencia à nobreza, Seus pais era uma família nobre italiana oriunda da região de (Placência) , na Lombardia seu pai Filipe Pallastrelli ,um comerciante e cavaleiro italiano que emigrou para Portugal no final do século VIV, sua mãe Catarina Vicente, referida como Catherina Visconti ) Apelido Perestrelo e a adaptação portuguesa do nome de família Pallastrelli. Bartolomeu nasceu em Portugal em 1400 tem como Brasão de Armas.
A Madeira só seria avistada no ano seguinte. Porto Santo foi, por isso,a primeira -génita de toda a Epopeia dos Descobrimentos e a primeira a ser governada, entregue ao capitão donatário Bartolomeu Perestrelo.No entanto, ser a primeira ilha no meio do Atlântico trazia um preço pesado: Bartolomeu é fascinante pelo desafio gigante que ele enfrentou. Quando o Infante D. Henrique o nomeou-o oficialmente capitão - donatário e lhe confiou a ilha, ele recebeu uma terra completamente selvagem. O início do povoamento teve episódios quase inacreditáveis. O mais famoso --- que quase deitou tudo a perder --- foi a famosa praga dos coelhos. Conta -se que Perestrelo levou uma coelha grávida na viagem. Ao ser libertada na ilha, onde não havia predadores naturais, a descendência multiplicou -se a velocidade tão avassaladora que os coelhos devoraram quase toda a vegetação e as primeiras plantações dos colonos. Mesmo com esse revés terrível que forçou muitos a vacilar, Perestrelo persistiu, organizou a agricultura, introduziu o gado e lançou as bases da comunidade que hoje conhecemos. O capitão - Donatário, Bartolomeu Perestrelo, governou o Porto Santo até ao ano de sua morte, que os historiadores apontam ter ocorrido por volta de 1457 ou 1458. Como o cargo era hereditário (passava de pais para filhos), a capitania continuou nas mãos da família Perestrelo após a sua partida. Bartolomeu Perestrelo tinha dois filhos,( Bartolomeu Perestrelo l l) e Filipa Moniz Perestrelo, Como a capitania era hereditária e o filho mais velho de Perestrelo ainda era menor de idade quando o pai morreu, foi a viúva , Isabel Moniz, quem geriu e governou a capitania do Porto Santo como tutora até o filho ter idade para assumir o cargo. Em 1458 , a " governação" de D. Isabel Moniz no Porto Santo foi, na prática , uma transição breve e marcada pela desistência do encargo, motivada pelas enormes dificuldades económicas e logísticas da ilha 🏝️.
Falta de apoio: D Isabel ficou encarregada do governo como tutora do seu filho herdeiro ( Bartolomeu Perestrelo " o Moço " então com cerca de 7 anos) Embora D . Isabel tivesse nomeado o irmão Diogo Gil Moniz como co- tutor, este passava pouco tempo na ilha.. A curta e conturbada governação de D . Isabel Moniz como tutora do filho menor ficou marcada por graves problemas socioeconómicos, geográficos institucionais: Escassez de recursos.A ilha enfrentava secas severas, falta de água potável e solos pouco produtivos. Para uma nobre com filhos a cargo, gerir uma comunidade pequena e isolada no meio do Atlântico revelou -se um encargo extremamente difícil e desgastante. A rentabilidade da capitania era quase nula comparada com a vizinha ilha da Madeira.
Mudança para a Madeira:
Diante destes adversidades, D. Isabel preferiu abandonar a residência no Porto Santo e recolher-se em Machico ( ilha da Madeira) com seus filhos, instalando -se em casa do seu pai, Vasco Martins Moniz.
O Trauma de 1566: Uma Ilha Desarmada.
Por ter uma geografia mais baixa, praias abertas e fáceis para desembarques, e por estar isolada, Porto Santo tornou-se o alvo perfeito para pirataria. A ilha 🏝️ encontrava-se tragicamente " desguarnecida de meios, tanto de defesa como de ofensa" Não havia um exército, não havia grandes muralhas, nem armas modernas. O momento mais dramático desta fragilidade viveu -se em outubro de 1566. Antes sequer de atacarem a Madeira, os corsários franceses caíram sobre o Porto Santo com uma violência bárbara. Sem defesas na praia, os habitantes viram-se obrigados a fugir para o interior, usando o Pico do Castelo.




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