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ANOS 60

Nos Anos 60 era eu  uma criança, nas minhas idas para a Escola adorava ver as chegas e saídas destes pequenos Barcos de Madeira que faziam  a travessia ,entre Porto Santo e Madeira nessa primeira foto  esse ´barco que está a encostar ao Caís é o Porto Santíssimo  e o rapaz que está com a corda na mão para prender o barco ao caís é um irmão meu parece ainda vou ter que confirmar Eduardo que trabalhou  por uns tempos nesse barco Muito depois de eu já ter saído de Porto Santo e vindo para Lisboa . Pois eram eles que traziam ,toda a mercadoria onde era descarregada no Caís da Ilha onde os próprios cargueiros faziam a descarga de  tudo que neles vinha  além de outros homens da ilha que para ganhar algum dinheiro ajudavam a descarregar até eles lhe davam um nome que era fazer fretes  . Ao fim de estar descarregado ,o Barco muitas vezes encalhava para descanso e limpeza de fundo ,ou  para acabar de  descarregar alguns bidões que trazia  com combustível para a Ilha uns para por a trabalhar a Fábrica de conservas e a Fábrica das  Águas e com a continuação uma  casa da gerava a luz , e algumas  vezes alguns  carros.  Nas Alturas de grande Temporal os que estavam na Ilha da Madeira não faziam a viagem para Porto Santo nem havia saídas de Porto Santo para a Madeira muitas das vezes o temporal chegava a ter 15 dias  e isso  faziam  muito mal a Ilha de Porto Santo pois começava a faltar  alimentação para os Habitantes  da Ilha.  Eram 6 os barcos que faziam a travessia entre as duas Ilhas . Seis foram esses que conheci  com nomes de Cisne, Devoto , Maria Cristina, Arriaga ,Cruz-Santa e o Porto Santíssimo que era o mais pequeno de todos Num dia de grande temporal o Arrais  do Arriaga arriscou fazer a viagem da Madeira para Porto Santo , mas como o temporal era muito forte e pouco viam  por causa do nevoeiro foram ter a uma das ilhas de Canárias por não poderem dominar a força do mar . Eram grandes homens do mar os barqueiros da Ilha. Quando não encalhavam  ficavam  a uma distância do caís ancorados  para  no outro dia seguir viagem para a Madeira, pois transportavam de Porto Santo a  Cal que  era para caiar as casas e não só .Porto Santo nos anos 60 tinha pedreiras onde se extraía muita cal a do Ilhéu de Baixo e na Serra se não me engano, também carregavam  como por exemplo a água engarrafada da Fábrica da Fontinha
 de Porto Santo que era acartada para o Caís por pequenos carros   e por um carro de Bois igual a esse que coloquei na foto abaixo e o dono dessa  carroça era meu primo por parte da minha Mãe , eu adorava acompanhar  essa carroça que lhe davam o nome de corsa !! até ao caís junto com outros miúdos  da  minha idade, que terá sido feito desse carro que hoje servia para recordar o passado e mostrar  como era que se trabalhava nesse tempo ,o  dono ia á frente e tinha um trapo cheio de cebo que de vez em quando passava por baixo para deslizar melhor pois era algo em ferro que deslisava pelo chão pois nessa altura as estradas eram de calçada e bem bonitas que eram , e o resto das estradas era de terra batida. Além de carregarem as caixas cheias de conserva que seguiam para a Madeira , e da Madeira para Lisboa pois a Fábrica de conservas trabalhava muito com encomendas feitas aqui do Continente , como a marca Milhafre---Costa do Sol-Zarco e outras mais  Voltando à . Fábrica  das águas,mais tarde com a entrada do 25 de Abril , e com as politiquices acabou por fechar onde é muito estranho , porque os madeirenses adoravam a água. Hoje continua fechada o que é uma pena , pois sua construção é linda e tudo se está a estragar onde podia ser um lindo Museu. Mas  Muitos dizem que o que ali seria feito em  seu lugar e ficava bem era apartamentos ,talvez sim mas deixar essa linda fachada , ao mesmo tempo procuro para que tantos apartamentos onde alguns ficam fechados o Ano quase todo   e só quem tem  mais movimento na ilha de Porto Santo é os Hotéis Pestana  e outros tem muitas ideias para ir deitando tudo abaixo ,o que depois pouco lucro dá. Havia uma Nora própria que puxava a água para esta fábrica trabalhar hoje está desprezada ou estragada,   infelizmente tudo o que era de boas recordações dos nossos antepassados  foram destruindo aos poucos. Dizem sempre que a ilha tem pouca água para cultivar algo mas não sabem aproveitar o pouco que tem ,Fizeram represas para aproveitar a água e muitas estão cheias de lixo e acaba o tempo da água e ficam quase vazias. Hora se essa mina que fornecia a Fábrica da água existe o porque de não aproveitar, para regas de agricultura e não só para campo de golfe , onde não digo que ele não exista mas que não tirem a água só para ele , e quem é o responsável que faça água destilada do mar primeiro está  alimentação para se sobreviver por  que o dinheiro cá fica.


Além de haver carros de duas rodas de   madeira e também , puxados por vacas . Com a continuação foram aparecendo carros a motor mas esta carroça fazia sempre   o seu transporte  para os barcos ,levava  cheias e trazia  fazias. para novo carregamento . Os primeiros carros a  motor foram trazidos por estes cargueiros de Porto Santo e assim a ilha foi  crescendo. Além de transportar a cal e a água também transportavam muitas pipas de vinho de Porto Santo pois nos anos 60  quase todas as pessoas tinham  seus terrenos ou com vinha e outros com trigo. Havia muita melancia  e melão ,figos , amoras .Vinha da Madeira sacas de milho  e trigo para ser moído  nos Moinhos de Porto Santo onde depois seguia para a Madeira em farinha. Na nossa ilha também  havia alguns agricultores que criavam seus animais como vacas ,e depois vendiam para a Madeira  , pois em Porto Santo pouca carne se vendia por ser cara e muitas pessoas só comiam carne no Natal, e quase sempre ou frango e  canja , e carne de Porco que era posta em vinho  , e alhos  um mês antes do Natal ,era frita e o molho que deixava na frigideira se colocava fatias de pão para   embeber  o molho da carne e assim se acompanhava com a carne , mas nem todos tinham esse prato por  haver uns mais pobres que outros.
És aqui o Sarilho que muitos Barcos ajudou a varar e que se encontra neste estado , sujeito a tudo que cada um quer fazer ,onde nenhum Presidente da Câmara  Municipal ou a própria Capitania nada  fez dele algo de grande valor  diz que pertence há Capitania mas se fizeram donos de uma coisa sem nunca falar com seu dono e nem sabem o nome de. e ali ele resiste a mais de cem anos que tem . Onde hoje meninos se sentam em cima e não só o Presidente da Câmara se dá o luxo de dar autorização para colocarem coisas em cima na altura das festas O dono desses Sarilho quis falar com o Presidente da Câmara sobre sua destruição e não  teve nem resposta nem uma reunião , nem uma proteção nem uma placa a dizer o que é  para  que servia e nem seu nome sabem . E falarei mais um pouquinho sobre algo que está ainda a tempo de aproveitar para preservar  . Todas as embarcações em Porto Santo eram varadas por braços ou por animais , como as vacas ,e mais tarde foi colocado este sarilho , onde todos os Barcos de carreira em Porto Santo eram varados por este sarilho , como Maria Cristina ,Devoto , Arriaga, o Cisne  ,o  Portosantense e outros quando era preciso varar com paus enfiados e os homens a andar de roda com ele e ai aos poucos o barco ficava em terra para limpar seu casco . Este Sarilho ainda existe aqui são e salvo por seu dono o ter colocado aqui  mas devia de ser preservado. e não tão maltratado como tem sido . Desejosos estão de dar cabo dele mas a sorte é que é de bom ferro, e  Que diz Ser Capitania nada faz para preservar, se fazem senhores mas depois não cuidam estragam.
Isto eram grandes trabalhadores , estão a trazer o barco para terra com uns paus colocados no Sarilho ou o cabrestante como outros chamam . Muitos hoje nesta ilha nem nunca viram o trabalho que estes homens tinham , nem nunca os viram trabalhar . Por isso tudo o que é antigo não se restaura , se deita fora é coisas velhas é muito melhor comprar no Chinês coisas que muitas vezes Deus sabe como são fabricadas.

Grandes barcos e grandes marinheiros que neles andavam me recordo estes barcos fosse com que vento fosse com grandes ondas iam e vinham e nunca se queixavam ,quando não podiam encostar iam para a Serra Fora para ter um pouco de enseada e depois voltar para descarregar , um deles o Arriaga uma vez foi parar a Canárias e sua luta continuou agora um ferry boot no lugar deles, é de rir bem diz quem diz nem tudo o que brilha é ouro E estimaram tanto estes barcos  que hoje para os recordar só em fotos.
No Porto Santo O principal porto  a S da hoje Cidade Baleira  é formado por uma extensa baía com bons fundos de areia e uma zona de cerca de 1.500 m entre as profundidades de 20 a 50 m. É desabrigado dos ventos rijos de S e de L. Antigamente as embarcações de alto bordo ancoravam longe da terra no enfiamento da ponta do cais com a torre
da igreja matriz em fundos de 25 a 35 m . Quando o tempo sul os impedia o serviço naquele porto , utilizava-se o desembarcadouro da Serra de Fora ou no Porto dos Frades a L; se o impedisse o tempo Leste  era forçado ir para o Porto das Morenas e fazer o desembarque na Calheta  na extremidade W da praia A norte dos Picos do Castelo e do Facho existia também um desembarcadouro o do Pedregal a que se recorria sempre que o tempo SUL impossibilitava o trafego marítimo na hoje Cidade Baleira
Hoje este Caís está com falta de obras e não é muito pouco o porque de não restaurar . Espero não acontecer como a palmeira. Hoje como já há um novo se esquecem deste.
Os Barcos que eram Varados por este Sarilho.

Além de cargas que faziam também levavam os passageiros da ilha , eu cheguei a ir á Madeira e vir no Cisne.
Era assim que faziam para varar o Barco ,colocando e tirando os paus em redondo.




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